Ser resiliente

A resiliência não é compatível com invulnerabilidade muitos autores como Koller (1996) defendem que esses termos não são relacionados a capacidade para que as pessoas possam superar as dificuldades que a vida oferece, não significando que a pessoa saia da crise ilesa, conforme sugere a invulnerabilidade. Neste sentido, o termo resiliência parece ser mais adequado para referir-se à adaptação em situações de stress.

Para (Hutz, Koller & Bandeira, 1996; Rutter, 1996) a resiliência pode ser aplicada em diferentes domínios do desenvolvimento: social, emocional e econômico. De acordo com esta visão, uma pessoa pode ser resiliente em alguma área de seu desenvolvimento, como por exemplo, a prosperidade financeira, e, ao mesmo tempo,  apresentar dificuldades no relacionamento interpessoal em função da exposição a algum fator de risco.

A invulnerabilidade ou resistência ao stress está relacionada com uma grande probabilidade de adaptação bem sucedida apesar da influência do risco, resultando em uma baixa susceptibilidade ao impacto de futuros estressores. Esse fato se dá também pela capacidade de adaptação que muitas pessoas têm de se adequar as situações difíceis.

O estresse pode ser entendido como um estado de desequilíbrio da pessoa, que se desenvolve quando esta é submetida a uma serie de tensões suficientemente persistentes. Para o desenvolvimento do estresse patológico, se pressupõe que seja necessária uma certa predisposição pessoal, sem a qual os agentes (estressores) ocasionais não seriam capazes por si só de produzir a reação de estresse, verificando ainda as características das condições emocionais atuais e a qualidade psíquica de cada individuo, (CARVALHO 2003).

Sendo assim, pessoas que possuem a capacidade da resiliência passam por situações de stress sem serem “danificados”, ou seja, podem inclusive retirar lições positivas e favorecer a qualidade de vida depois do evento de stress ou trauma, já as pessoas que não possuem a capacidade da resiliência acabam por serem traumatizadas, somando agentes estressores, e consequentemente desenvolvendo diversos tipos de patologias, em espacial o câncer. As emoções experimentadas, mas não devidamente simbolizadas poderão levar a uma situação de lesão fisiológica ou transtornos de ordem psicofisiológicas (CARVALHO 2003).

Koller (1996) defende ainda que a pessoa resiliente em uma determinada situação pode não ser em outras, assim como pode ser resiliente em determinada situação de risco ou stress em sua vida e pode não apresentar a mesma capacidade em outra época de sua vida onde possivelmente passou por outro processo de trauma.

O conceito de resiliência para a física difere da psicologia pelo fato de que a física trabalha com materiais enquanto a psicologia com pessoas. E estas podem e devem ter uma capacidade de adaptar-se e ajustar-se, porém não de maneira meramente passiva, mas na medida em que adaptam-se às pressões e dificuldades cotidianas, podem construir novas formas de relação com os demais e com o meio em que está inserido, mais verdadeiras, participativas, solidárias, enfim, relações com mais qualidade (FRITZ 1990 apud CARVALHO 2003).

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